Só, numa casinha junto ao pântano, ela vivia
e seu nome era Madalena das Maravilhas.
Era uma moça ainda jovem,
de cabelos e olhos negros,
bela e cheia de mistérios
cuja voz encantava por si só.
Prisioneiro da dor,
Isaía lhe pediu:
__Da- me, de todas tuas poções,
a mais infernal
aquela cujo gole seja fatal.
Assim, destruirei aqueles que me fizeram tanto mal!
__Sim, meu senhor- concordou a bruxa-
se acreditas, do fundo do coração,
que desse modo curarás tua dor
e que o que feito está por amor
desfeito será pelo desamor.
Declarando que assim fosse feito,
o marido traído recebeu ordens
de buscar a poção
depois de quinze dias.
Então, enquanto preparava a poção
tendo vazio o coração,
Madalena pô- se a recordar com emoção
o belo rosto de Isaía.
Segredendo as sombras noturnas, suas únicas amigas,
MAdalena falou:
__Meu doce Isaía, não posso esquecer- me de tuas feições
e se o Inferno existe
que Deus minh`alma leve para lá,
mas a tua não permitirei jamais!
E, bruscamente, virou seu caldeirão
derramando e destruíndo toda a poção.
Quinze dias com rapidez passaram
e de volta ao casebre achou- se Isaía,
mas, lá dentro, o que viu o paralizou,
no lugar da moça infeliz e miserável
surgira uma, bela e sorridente.
__Onde está minha poção?- perguntou ele imperativamente.
__A poção que vá aos diabos,
quero dar- lhe muito mais,
quero dar-lhe meu coração!
Aquela declaração o desarmou
e, tendo sido dita com tanta paixão,
profundamente em seu peito calou.
Naquele rosto havia tanto amor
e, nos braços, promessas de tanto calor
que Isaía, tomado de emoção,
logo de Elizabeth se desligou.
Tendo ido em busca de vingança e morte
ele encontrou paixão e vida
e a pobre moça, só e sem amor,
achou paz para sua alma destroçada.
Assim, o destino arranjou seus caminhos tortuosos
e, lado a lado, Isaía e Madalena para casa seguiram.
Bastante intrigados ficaram
Elizabeth, Rodrigo e Amélia
vendo Isaía, o feroz marido,
retornando junto de sua nova flor,
tendo caído, também ele, vítima do amor!
E, inspirado e atordoado pelas fragâncias da paixão,
ele, antes tão cruel, declarou:
__Ah, meus caros amigos,
dêem três vivas para o amor.
Sei agora o que é esta força que desafia toda razão
e devo isto a Madalena
que tornou sereno meu coração!
Naquela noite houve músicas e festas
e, dançando no pátio,
Madalena profetizou:
__Amélia, teu grande amor virá em pouco tempo,
junto a bruma que cobre o mar,
e seu peito, então, de calor e alegria se encherá!
Quando a noite ia bem alta no céu,
dançando aos pares estavam
Rodrigo e Elizabeth,
Madalena e Isaía
ao redor de Amélia que logo apaixonada estaria!
Ao nascer do sol,
cinco corpos, embriagados e profundamente adormecidos,
foram pela luz surpreendidos, cada qual com seu igual
e, assim, encerra- se a curta históia
de quando o bem venceu o mal!


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BRASIL, Sudeste, SAO MANUEL, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, French, Arte e cultura, Música