

Desesperada ela ajoelhou- se
e junto a seus pés a infeliz moça gritou:
__Contra teu amor pequei,
tua confiança traí
e a outro entreguei meu coração.
Penetrando silencioso em casa
Rodrigo contemplou a cena:
sua amada ajoelhada
e Isaía com a face angustiada.
Profundamente magoado,
tendo sua alma lesada e ferida,
Isaía alterou- se:
__Sabe quantos horrores enfrentei,
quantas noites passei a lembrar- me de ti?
Sabe, por acaso, quantas vezes chamei teu nome em desespero
ou, quem sabe, que foi teu amor que me guiou?
Perdido na dor,
Isaía agarrou os sedosos cabelos da mulher
e Rodrigo entrou no aposento,
confessando:
__Não toque nela,
castigue a mim que a roubei de teus braços
e preenchi o vazio que tu deixaste!
Afogado em ciúmes,
Isaía desembainhou a espada,
com fúria impensada
e gritou- lhe com rancor:
__Tu, minha amada,
partiu- me o coração,
não fui, talvez, um bom esposo?
E, tu, meu amigo,
por acaso te fui desleal
ou deixei de ajudar- te algum dia?
Num sussurro Elizabeth disse:
__Não, Isaía, foste bondoso,
um esposo fiel e amoroso,
mas, desgraçada de mim, nunca te amei.
E ele retrucou:
__Arrepender- se- ão desta loucura!
Buscando Amélia,
Isaía lhe falou:
__Foste trocada, minha cara,
por Elizabeth, que jurando amor somente a Isaía,
no coração só Rodrigo tinha.
E ela sorrindo- lhe das escadas, declarou:
__Pobre Isaía, nunca tivemos amor,
deixe aqueles que se amam
e trate de buscar alguém para curar a tua dor.
Deixando o pátio que unia as casas,
Isaía decidiu jamais dar- lhes paz
e, envenenado pelo ódio,
vingança buscou.
Ouvindo falar, em conversas pelo cais,
numa bruxa cujas poções
de poderes tais que podiam até matar,
foi lhe procurar.


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