O tempo passou
Rodrigo e Elizabeth se amaram
e o amor dava ritmo a suas vidas.
Amélia já em seu íntimo sabia,
mas compreendia que jamais
tivera o amor de seu amado
e, mesmo sofrendo, deixou- o partir.
__Vai, meu amado- disse ela com amor-
busca aquela que sempre teve sua paixão.
Seus corações um ao outro darão
e que Deus perdoe os pecadores
levados pela emoção!
Ajoelhada frente a Amélia,
o peito cheio de greatidão,
Elizabeth exclamou:
__Bendita seja, minha irmã!
Se Deus existe
a ti dará o mais belo trono que há nos céus.
Rodrigo estreitou- a nos braços fraternalmente,
desejando- lhe que outro homem
lhe desse o amor que ele não pudera dar
e enalteceu milhões de vezes a pureza de Amélia.
Desde a partida de Isaía
doze anos se passaram
dos quais nove foram de alegria,
mas um dia, ah, um dia
a tempestade chegou.
Desperta de um sonho de amor
por algazarra no cais,
Elizabeth, ligeira, lançou- se a janela
e viu, trazida pela maresia,
a imagem que transtornou seu coração.
Caminhando trôpego pela areia,
saudado como herói,
vinha Isaía, seu pródigo marido.
Barba e cabelos compridos,
roupas e pele maltratadas pelo mar,
voltava Isaía ao lar.
Com alegria acenou- lhe ele
e cheio de alívio abraçou- se a ela,
apoindo a cabeça desgrenhda
em seu peito palpitante de mulher.
Assim, Isaía declarou:
__Oh, bela, doze anos sofri
e tantos mares percorri
pensando em ti!
Nem mesmo a morte, negra e nefasta,
arrancou de mim a esperança de te reencontrar aqui!


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BRASIL, Sudeste, SAO MANUEL, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, French, Arte e cultura, Música