Relembrando
Agarro- me à reminiscências,
busco recordações,
alento, na escuridão dos dias,
para meu pobre coração.
Tateio, com dedos cegos,
procurando lembranças,
aromas, cheiros que se transformam em visão.
Sinto, na superfície da pele,
texturas tantas,
macias, ásperas, delicadas,
rigidez de pedra, maciez de pétala.
Recordo perfumes e olhares vagos,
alimento- me de coisas passadas,
fluidas, esparsas.
Retomo vidas de outrora,
revejo outras auroras,
ouço o canto de pássaros canóros;
vivo, num segundo, lembranças que não são minhas,
ou que poderiam ter sido,
caminhos alternativos que se afastaram de mim.
Relembrando me torno unidade,
saboreio o néctar da História,
sou mais feliz.
Reencontro braços, abraços,
bocas, sorrisos,
sinos unissonos,
piques, repiques,
vinhos, deleites
e me torno alegre, unicamente.




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